Livro · Eduardo Casarotto
Teimosia de Viver
Um tratamento inteiro do próprio Eduardo Casarotto, transcrito como aconteceu. Dez sessões reais, do primeiro encontro ao dia em que uma família voltou a se falar.
O que este livro é
Quase tudo o que se publica sobre clínica é uma de duas coisas: teoria, ou o caso já resumido pelo terapeuta depois que acabou. Nos dois formatos, o que some é o mesmo: o processo.
Aqui está o processo. As sessões, transcritas, na ordem em que aconteceram.
A pergunta que foi feita e a resposta que veio. O momento em que a paciente entende, e o momento em que ela desconversa. A tarefa que ela levou para casa, e o que ela trouxe de volta na semana seguinte. A interpretação sendo construída na frente do leitor, e não apresentada pronta.
Só os nomes foram trocados, junto com os detalhes que poderiam identificar as pessoas envolvidas. O que se diz nas sessões está como foi dito.
De onde vem o título
Aida chegou ao consultório aos sessenta anos. Casou aos dezessete, ficou viúva aos trinta e poucos, criou três filhas sozinha numa época em que a sociedade não estava feita para mulher sem marido. Aprendeu a dirigir sozinha, tirando o carro da garagem sem nunca ter posto o pé numa embreagem, porque não tinha dinheiro para aula nem alguém que se dispusesse a ensinar.
Depois de escutar mais uma dessas histórias, Eduardo comenta em sessão: "essa sua teimosia de viver é incrível." O livro ficou com o nome.
É por isso que a obra funciona em duas camadas ao mesmo tempo. É um estudo de caso completo, e é a história de uma mulher que apanhou muito da vida e não desistiu dela.
Como o livro nasceu
Começou por outra pessoa. Quem procurou o consultório foi a filha mais nova, com uma raiva da mãe que não se explicava pelo que ela mesma contava.
Investigando, Eduardo entendeu que tratar apenas a filha não resolveria: o conflito era da família inteira, e a leitura que cada uma tinha da mãe era mais objeto interno do que fato. Chamou a mãe e as irmãs para o consultório.
Nas duas primeiras sessões, quase nada. Aida não se lembrava da própria vida. Combinaram então que ela escreveria em casa tudo de que conseguisse lembrar, e traria o material na semana seguinte para trabalharem em cima.
O livro é feito desse material. Foi assim que um tratamento virou livro.
O que veio junto, sem ter sido procurado, foi o retrato de uma geração. Os costumes, os valores, o que se podia e o que não se podia, o dinheiro que mudava de nome a cada plano econômico. O livro traz notas históricas ao longo das sessões, para que o leitor mais novo entenda o mundo em que aquelas cenas aconteceram.
O percurso do tratamento
O livro segue a ordem clínica, e é essa ordem que faz o processo ser legível.
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1
A investigação
A primeira fase. O mapa da história, a linha do tempo, a busca do ponto de fixação. Já na primeira sessão aparece o que vai organizar o resto: um superego rígido, uma carga de culpa que não é dela, e uma depressão que se anuncia antes de ser nomeada.
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2
A origem dos padrões
De onde vem o comportamento que ela repete há sessenta anos. A preferência materna pelo irmão, a ligação com o pai, e a decisão clínica de não ressignificar nada disso.
O que o leitor vê aqui é a Virtologia se separando da técnica tradicional em tempo real: não se justifica a mãe, não se reescreve a cena. Aceita-se o fato e se interrompe a busca por um amor que não vai vir.
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3
A compulsão à repetição
Por que ela só se envolvia com um tipo de homem, e por que a filha mais velha foi procurar exatamente o mesmo tipo. O mecanismo é explicado em sessão, em quatro estágios, e depois verificado na própria história dela, caso a caso.
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4
A herança que atravessa gerações
Aida pesquisa a história da própria família a pedido do terapeuta e volta com o tataravô, a avó, a mãe. O padrão reaparece três gerações depois, em pessoas que nunca souberam da história.
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5
As virtudes entrando como tarefa
Aceitação, perdão, honestidade, individuação. Não como conceito discutido, e sim como trabalho prescrito entre uma sessão e outra, com o retorno cobrado na semana seguinte.
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6
A sessão das quatro
Mãe e três filhas na mesma sala, cada mágoa dita na frente de todas, uma de cada vez, conduzida para o perdão e não para o acerto de contas. Só foi possível porque as quatro já haviam sido tratadas antes, e o livro deixa claro por quê.
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7
Charuto das quartas
O caso discutido com um colega de profissão, sem paciente na sala. É o capítulo em que o raciocínio clínico aparece por inteiro: o que o terapeuta pensou, o que ele descartou, e por que fez o que fez.
Os conceitos em uso
Nenhum conceito aparece aqui como verbete. Todos aparecem no instante em que a sessão precisa deles, explicados a uma senhora de sessenta anos que não é da área, e é essa a razão pela qual o livro se lê sem formação prévia.
Superego
Como um julgador interno formado pela família, pela religião e pela época cobra atitudes que a pessoa nem reconhece como suas, e como essa cobrança vira culpa, depressão e adoecimento do corpo.
Orgulho e egoísmo
Os dois em suas definições virtológicas, e a demonstração no caso concreto: um homem que adoece por oito meses porque o orgulho ferido não o deixa aceitar o próprio erro.
Complexo de Édipo
Na leitura da Virtologia, incluindo o cálculo de posição entre irmãos: qual filha se liga ao pai, qual se alia à mãe, e qual carrega o sentimento de exclusão.
Compulsão à repetição
Os quatro estágios que instalam o mecanismo, e por que a defesa criada pelo inconsciente acaba reproduzindo os elementos da cena original em vez de evitá-los.
Não ressignificação de memória
Um dos pontos em que a Virtologia mais se afasta da clínica tradicional. Por que justificar a mãe para o paciente produz culpa em vez de alívio, e o que se faz em lugar disso.
A atemporalidade do inconsciente
Por que uma mágoa de cinquenta anos atrás é vivida hoje com a mesma carga do dia em que aconteceu, e o que isso muda no manejo.
Somatização
O caminho pelo qual a tensão de uma culpa não resolvida vira sintoma físico, acompanhado dentro do caso e não descrito em abstrato.
Individuação
O que é atingir a maturidade de viver a própria vida sem depender da aprovação dos pais, e por que ela não acontece enquanto a pessoa ainda espera preencher um buraco que não se preenche.
Escala de necessidades
O instrumento de autoavaliação que a paciente passa a usar, e a ligação direta entre necessidades não atendidas e o quadro que a levou ao consultório.
Transferência e projeção
Como a filha lê a mãe através de um objeto interno e não do que a mãe é, e o trabalho de separar uma coisa da outra.
O audiobook
O livro traz, impresso, o link para ouvir a obra também em formato de audiobook. Não é uma compra separada: vem com a versão física.
Faz diferença neste título mais do que faria em outro. O livro é quase todo diálogo, e diálogo transcrito é o tipo de texto que ganha quando é ouvido: a pergunta, a pausa antes da resposta, a hesitação de quem está prestes a admitir uma coisa que nunca disse em voz alta.
Público indicado
Para quem estuda ou atende
É material de estudo raro, porque mostra o que a teoria não mostra: como se pergunta, quando se cala, como se devolve uma interpretação e o que se prescreve entre uma sessão e outra.
É o que a supervisão ensina e o livro-texto não alcança. E como o capítulo final traz o caso discutido entre colegas, o leitor também vê o raciocínio por trás de cada decisão.
Para quem não é da área
Não é preciso conhecer nada de psicanálise nem de Virtologia. Cada conceito é explicado dentro da sessão, para a própria paciente, com as palavras que ela entende.
E há a outra leitura possível, que talvez seja a principal: uma história de força, de quem levou muitos tombos e se levantou de todos.
Uma observação sobre a transcrição
As sessões estão como foram. Isso inclui o vocabulário de uma conversa real entre duas pessoas em consultório, que às vezes é direto e às vezes é cru, e inclui assuntos de vida adulta tratados sem eufemismo: sexualidade, traição, violência doméstica, dependência.
Nada disso está ali por efeito. Está porque era o que a paciente trouxe, e porque limpar o material tiraria do leitor justamente aquilo que ele veio ver: uma sessão como ela é.
Quem escreveu
Eduardo Casarotto é pesquisador, autor, consultor, filantropo, fundador do Instituto Virtudes e criador da Virtologia e da Humanização 2.0. Condecorado com o título de Comendador Cavaleiro pela Câmara de Justiça de São Paulo.
Com mais de 25 anos de atuação como terapeuta e consultor organizacional, formou mais de 2.000 terapeutas e dedicou sua trajetória ao estudo do funcionamento humano e da relação entre ambiente, comportamento e adoecimento.
Ao longo de sua atuação, desenvolveu trabalhos de formação e orientação metodológica para empresas, instituições públicas, organizações, hospitais, escolas e unidades prisionais, levando sua abordagem para contextos onde o funcionamento humano precisa ser compreendido não apenas no indivíduo, mas também nos sistemas em que ele vive e trabalha.
É autor de mais de 20 livros e de artigos publicados em periódicos científicos. Sua metodologia já foi apresentada no Plenário do Senado Federal, discutida em ambientes institucionais e aplicada em diferentes realidades humanas, organizacionais e sociais.
O que costumam perguntar
As sessões são reais mesmo?
São. O caso é real e as sessões foram transcritas. O que foi alterado são os nomes e os detalhes capazes de identificar as pessoas envolvidas: nomes de familiares, de lugares e de terceiros citados. O conteúdo clínico está como aconteceu.
Tem versão digital?
Não. Este título sai apenas na versão física, e o audiobook vem incluso: o link para ouvir está impresso dentro do livro.
Preciso conhecer a Virtologia para ler?
Não. Cada conceito é explicado dentro da sessão, no momento em que aparece, para uma paciente que também não conhecia nenhum deles.
Serve para quem estuda outra linha?
Serve, e é uma das melhores portas de entrada para entender em que a Virtologia se afasta da clínica tradicional, porque a diferença aparece em ato e não em argumento. A leitura do caso, evidentemente, é a da Virtologia.
É um livro pesado?
Tem passagens duras, porque a vida da paciente teve passagens duras. Mas o arco do livro é de reconstrução, e ele termina com a família reunida e reconciliada.
Substitui tratamento?
Não. Nos quadros com determinação biológica, a Virtologia soma-se ao tratamento médico e não fica no lugar dele. Se você está em sofrimento, procure ajuda profissional.
Para a teoria por trás de tudo o que acontece nessas sessões, o Fundamentos da Virtologia traz a base inteira da escola:
Conhecer o Fundamentos da Virtologia