Instituto Virtudes - Humanização e Virtologia

Sistemas Humanizados · Humanização 2.0

O futuro das organizações já começou a ser redesenhado.

Temos que parar de tentar fazer os seres humanos se adaptarem melhor às empresas.

E começar a fazer as empresas serem compatíveis com os seres humanos.

Eduardo Casarotto

Essa direção aparece em normas sobre organizações centradas no ser humano e em orientações internacionais para o futuro do trabalho. Sistemas Humanizados - Humanização 2.0 é a proposta de Eduardo Casarotto para levar esse princípio às estruturas, aos processos e à gestão das organizações.

  1. O problema

    Parte do sofrimento no trabalho nasce das próprias regras da organização.

  2. A virada

    Em vez de adaptar pessoas, tornar organizações compatíveis com elas.

  3. O mundo

    ISO, OIT e OMS já discutem o trabalho centrado no ser humano.

  4. A proposta

    Sistemas Humanizados: a arquitetura de Eduardo Casarotto para essa mudança.

  5. Sua profissão

    RH, saúde, SST e liderança ganham repertório para participar dela.

Leia o argumento completo
  1. Empresas continuam exigindo resiliência e adaptação dos profissionais mesmo quando parte do sofrimento é produzida pelas próprias condições de trabalho.
  2. Se as regras, os processos e a gestão contribuem para o problema, melhorar apenas o comportamento individual não resolve a causa.
  3. Temos que parar de tentar fazer os seres humanos se adaptarem melhor às empresas.
  4. E começar a fazer as empresas serem compatíveis com os seres humanos.
  5. Essa direção já aparece em referências internacionais: a ISO trata de organizações centradas no ser humano, a OIT defende um futuro do trabalho centrado nas pessoas e a OMS inclui intervenções organizacionais em suas recomendações de saúde mental no trabalho.
  6. Sistemas Humanizados - Humanização 2.0 é a proposta desenvolvida por Eduardo Casarotto para compreender o funcionamento humano e orientar a transformação de estruturas, políticas, processos e gestão.
  7. Para profissionais de RH, saúde, segurança do trabalho e liderança, estudar esse campo amplia o repertório para participar da construção das organizações de amanhã.

Por que mudar o sistema, e não só a pessoa?

Palestras, terapia e programas de desenvolvimento podem ajudar pessoas. Mas, se a organização mantém regras e processos que contribuem para o sofrimento, atuar só sobre o indivíduo deixa parte do problema intacta. O trabalho precisa ser analisado também como sistema: cargos, sobrecarga, fluxos, critérios, governança e decisões.

Uma empresa pode ter profissionais humanizados e continuar funcionando de maneira desumanizante.

Ninguém precisa de teoria nova para saber que meta impossível faz mal, ou que gritar com funcionário é errado. Isso já é reconhecido como problema. O trabalho difícil é enxergar o que agride e é considerado normal:

Promover o melhor técnico a gestor

Ele era excelente no que fazia. O cargo novo pede outra coisa, e ninguém perguntou se aquilo combinava com ele. A empresa perde um bom técnico e ganha um gestor infeliz. E todo mundo chama isso de reconhecimento.

O atendimento excelente que o cliente elogia

A nota sobe, a diretoria comemora. Ninguém mede o que aquilo custa de disponibilidade e desgaste de quem atende. Um filtro 360° pegaria isso na hora.

O ranking de desempenho na parede

Considerado motivação. É competição entre pessoas que precisam trabalhar juntas, e aciona exatamente o sistema do orgulho: a pessoa passa a medir posição em vez de resolver problema.

A política de porta aberta

Existe no papel, e ninguém usa. Porque quem usou uma vez ouviu falar disso na avaliação seguinte. A regra escrita diz uma coisa, a regra real diz outra.

O feedback uma vez por ano

Comportamento não muda com informação dada uma vez a cada doze meses. É o oposto de como o aprendizado funciona, e mesmo assim continua sendo o padrão em boa parte das empresas.

A descrição de cargo genérica

Copiada de um modelo, cheia de verbos vagos. Não diz o que a pessoa faz, como faz, para que faz e quanto tempo leva. Sem isso, ninguém consegue saber se aquele cargo combina com aquela pessoa.

Nenhum desses exemplos vem de má intenção. Todos vêm de estruturas montadas sem considerar como o ser humano funciona, e por isso passam despercebidos por anos.

A mudança já está sendo discutida no mundo

Organizações centradas no ser humano já são tema de normas, declarações e diretrizes internacionais, cada uma dentro do seu campo. No Brasil, a gestão dos fatores de risco psicossociais ganhou atenção regulatória expressa.

  1. 2016

    ISO 27500

    ISO, The human-centred organization: rationale and general principles

    Apresenta os princípios de uma organização centrada no ser humano. É dirigida à alta administração, que define políticas e estratégia.

    Página oficial da norma
  2. 2019

    ISO 27501

    ISO, The human-centred organization: guidance for managers

    Orienta gestores a levar esses princípios para a estratégia, os procedimentos e os processos da organização.

    Página oficial da norma
  3. 2019

    Declaração do Centenário da OIT

    Organização Internacional do Trabalho, Declaração para o Futuro do Trabalho

    Adotada pela Conferência Internacional do Trabalho no centenário da OIT, defende uma abordagem do futuro do trabalho centrada no ser humano.

    Documento oficial
  4. 2021

    ISO 45003

    ISO, Psychological health and safety at work: guidelines for managing psychosocial risks

    Diretrizes para gerir riscos psicossociais dentro de um sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional, na lógica da ISO 45001.

    Página oficial da norma
  5. 2022

    Diretrizes da OMS sobre saúde mental no trabalho

    Organização Mundial da Saúde, WHO guidelines on mental health at work

    Recomendações baseadas em evidências que incluem intervenções organizacionais, formação de gestores e de trabalhadores e intervenções individuais.

    Documento oficial
  6. 2026

    NR-1

    Ministério do Trabalho e Emprego, Norma Regulamentadora nº 1

    Desde 26 de maio de 2026, inclui expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), que as organizações devem identificar, avaliar e controlar.

    Texto vigente no site do MTE

Cada referência tem o seu escopo. Nenhuma delas cita, certifica, valida ou recomenda os Sistemas Humanizados, e elas não formam um programa conjunto. O que mostram é que a centralidade humana faz parte do debate internacional sobre organizações, gestão e trabalho. A proposta ensinada no Instituto Virtudes é de Eduardo Casarotto.

A contribuição de Eduardo Casarotto

Uma coisa é defender organizações humanizadas. Outra é saber como construí-las.

Sistemas Humanizados - Humanização 2.0, proposta desenvolvida por Eduardo Casarotto, integra uma leitura do funcionamento humano à análise e ao redesenho de processos, políticas, descrições de cargos, governança e instrumentos de gestão. Tem fundamentos, etapas de implantação e ferramentas próprias. Os cinco filtros são apenas um dos seus componentes.

Humanização 2.0 é um sistema de leitura, desenho e transformação de ambientes organizacionais a partir do funcionamento humano.

Sistemas Humanizados ou Humanização 2.0?

São dois nomes da mesma proposta. Ela parte do funcionamento humano para analisar e transformar organizações, e trabalha em três camadas:

Leitura

Entender como o ambiente funciona hoje e onde ele bate de frente com o funcionamento humano.

Desenho

Reorganizar a estrutura: normas, políticas, cargos, processos e governança.

Transformação

Alterar o funcionamento real da organização, e não só o discurso dela.

O resultado esperado são instituições com estruturas, processos e critérios de gestão mais compatíveis com as pessoas.

Humanização 2.0 não é um programa de bem-estar. É uma arquitetura de sistemas humanos, para tornar organizações compatíveis com o funcionamento de quem trabalha nelas.

O princípio é compartilhado por uma discussão internacional. A arquitetura ensinada aqui é a proposta própria de Eduardo Casarotto, registrada no livro e aprofundada na pós-graduação.

Capa do livro Sistemas Humanizados · Humanização 2.0, de Eduardo Casarotto.

Sistemas Humanizados · Humanização 2.0

O livro que registra a proposta completa. Catalogado na Biblioteca do Senado Federal.

Eduardo Casarotto ao lado do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que segura um exemplar do livro Sistemas Humanizados.
Eduardo Casarotto entrega o livro Sistemas Humanizados · Humanização 2.0 ao Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O que muda na sua profissão

Para quem trabalha com pessoas e organizações, esse campo amplia o que se consegue enxergar e propor.

RH e gestão de pessoas

Compreender e atuar também sobre regras, cargos e processos, e não só sobre comportamento, clima e treinamento.

Saúde

Ir além do acolhimento ao paciente e incluir as condições de trabalho de quem cuida e a gestão da instituição.

Segurança e saúde no trabalho

Integrar a avaliação dos fatores de risco psicossociais à discussão sobre medidas na organização do trabalho.

Gestores e consultores

Ampliar os instrumentos para compreender causas sistêmicas e participar do redesenho de regras e processos.

Por onde começar

Três caminhos, conforme o seu momento. Eles não competem: são profundidades diferentes da mesma proposta.

Aula aberta · gratuita

Assista a Eduardo Casarotto aplicar a proposta

Duas aulas completas: uma sobre a NR-1 e os riscos psicossociais, outra sobre o RH e a descrição de cargos.

Assistir à aula sobre a NR-1

Ou a aula para profissionais de RH

Livro

Capa do livro Sistemas Humanizados · Humanização 2.0.

Sistemas Humanizados · Humanização 2.0

Para estudar a obra, seus fundamentos e os instrumentos apresentados por Eduardo, com manuais prontos e aulas bônus de acesso imediato.

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Pós-graduação lato sensu

Pós-graduação em Sistemas Humanizados

Para estudar em profundidade, num programa acadêmico com aulas, avaliações, TCC e certificação.

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Perguntas que costumam surgir

Sistemas Humanizados e Humanização 2.0 são coisas diferentes?

Não. São dois nomes da mesma proposta, desenvolvida por Eduardo Casarotto. Ela parte do funcionamento humano para analisar e transformar organizações. O resultado esperado são instituições com estruturas, processos e critérios de gestão mais compatíveis com as pessoas.

A ISO, a OIT ou a OMS validam os Sistemas Humanizados?

Não. Essas referências são independentes, cada uma com o seu escopo, e nenhuma delas cita, certifica ou recomenda os Sistemas Humanizados. Elas mostram que a centralidade humana faz parte do debate internacional. A proposta ensinada no Instituto é de Eduardo Casarotto e se situa nesse debate.

A NR-1 exige implantar Sistemas Humanizados?

Não. A NR-1 é uma obrigação legal própria: a organização precisa identificar, avaliar e controlar os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, com medidas de prevenção. Os Sistemas Humanizados são uma proposta de análise e transformação organizacional que pode ampliar o repertório de quem trabalha com isso. A conformidade depende das medidas que a organização efetivamente implementa e documenta.

Então terapia, acolhimento e programas de bem-estar não servem?

Servem, e continuam importantes. Apoio individual pode ser útil, mas não substitui a identificação e a gestão dos fatores ligados às condições de trabalho. Os Sistemas Humanizados olham para a parte do problema que está na estrutura.

Os cinco filtros são os Sistemas Humanizados?

São um dos componentes. A proposta inclui os fundamentos do funcionamento humano, a análise da organização, o redesenho de estruturas, políticas, processos e governança, instrumentos de gestão, etapas de implantação e acompanhamento.

Para quem quer ir além

Daqui para baixo, a proposta em detalhe: os números, a história, as três ondas, os cinco filtros, a Terceira Competência e os 34 componentes de um sistema humanizado.

O tamanho do problema, em números

No Brasil, os afastamentos do trabalho por transtornos mentais estão no maior patamar da série histórica.

472 millicenças médicas por transtornos mentais concedidas pelo INSS em 2024
2,3xo número de 2014, quando foram cerca de 203 mil

Dados do Ministério da Previdência Social sobre benefícios por incapacidade temporária concedidos. O número de 2024 é o maior de pelo menos dez anos.

E não é um problema brasileiro

O relatório State of the Global Workplace da Gallup mostra que 41% dos trabalhadores no mundo relataram ter sentido muito estresse no dia anterior à pesquisa. Nos Estados Unidos, a SHRM ouviu 1.405 trabalhadores em 2024: 44% se dizem em burnout, 45% emocionalmente esgotados e 51% consumidos ao fim do expediente.

O custo de não mexer na estrutura

2,6x

Quem está em burnout é mais propenso a estar procurando outro emprego, segundo a Gallup.

63%

Mais propenso a tirar licença médica do que quem não está, também segundo a Gallup.

Metade a 2x

O salário anual é o que a Gallup estima custar substituir um profissional que saiu.

Adoecimento não é só um problema humano. É a conta mais cara que uma organização paga sem lançar em lugar nenhum.

Fontes

  1. Afastamentos por transtornos mentais no Brasil. Dados do Ministério da Previdência Social: 472.328 licenças médicas concedidas em 2024, o maior número da série histórica, contra cerca de 203 mil em 2014. G1 · Agência Brasil (com outro recorte dos mesmos dados, a Agência Brasil noticiou mais de 440 mil afastamentos).
  2. Estresse no trabalho no mundo. Gallup, State of the Global Workplace: 2024 Report. Gallup
  3. Burnout nos Estados Unidos. SHRM, Employee Mental Health in 2024 Research Series, com 1.405 trabalhadores americanos. SHRM
  4. Burnout, saída e licença médica. Gallup, Employee Burnout, Part 1: The 5 Main Causes. Quem está em burnout é 2,6 vezes mais propenso a estar procurando outro emprego e 63% mais propenso a tirar licença médica. A associação não indica, sozinha, que o burnout seja a única causa. Gallup
  5. Custo de substituir um profissional. Gallup, This Fixable Problem Costs U.S. Businesses $1 Trillion: estimativa de metade a duas vezes o salário anual do profissional. Gallup

Por que 2.0?

A palavra humanização já existe há décadas, e quem trabalha com saúde conhece bem. Um marco conhecido é o Planetree, criado em 1978 por Angelica Thieriot depois de uma internação em que ela se sentiu tratada como doença, e não como pessoa. No Brasil, o Ministério da Saúde criou um programa de humanização da assistência hospitalar no início dos anos 2000 e, em 2003, a Política Nacional de Humanização, o HumanizaSUS.

Essa humanização é boa e é necessária. Ela trata da relação: do olhar, da escuta, do modo como uma pessoa é tratada por outra. E não ficou só nisso: a própria Política Nacional de Humanização já inclui a gestão participativa e a valorização de quem trabalha.

Mesmo assim, na prática, três limites aparecem com frequência:

Depende de quem está lá

Funciona quando o profissional é sensível. Enfraquece quando ele sai de férias, muda de setor ou pede demissão.

É difícil de conferir

Faltam critérios comuns para verificar se a estrutura de uma organização é humanizada ou se ela apenas afirma que é.

Ficou mais na saúde

O conceito raramente chegou à escola, à empresa, ao presídio ou ao tribunal como arquitetura organizacional.

A Humanização 2.0 não substitui a primeira. Ela pega o mesmo princípio e o transforma em sistema.

Humanização

  • Centrada na relação entre pessoas
  • Se expressa sobretudo em ações e programas
  • Depende muito da sensibilidade de quem está executando naquele momento
  • Mais conhecida na saúde
  • Muitas vezes avaliada pela percepção de quem passou por ela

Humanização 2.0

  • Trata da estrutura da organização
  • Se expressa em regras, políticas e manuais escritos
  • A regra escrita não depende de quem está no cargo: troca o gestor, e a proteção continua
  • Aplicável a qualquer instituição
  • Auditável: existem critérios que qualquer um confere

Daí o número. Não é uma humanização mais bonita. É uma humanização que dá para verificar.

Os dois lados da comparação

No centro da Humanização 2.0 está uma comparação entre duas coisas:

O funcionamento humano

As 51 necessidades humanas, iguais em qualquer cultura, cada uma com uma reserva que não pode secar nem transbordar.

A personalidade: o temperamento, que é a parte genética e não muda; o caráter, que se formou pela experiência; a identidade, que é o que a pessoa acredita ser; e as virtudes que ela construiu até aqui.

E a distância entre o que a pessoa é e o papel que ela representa para caber ali dentro.

O que a organização tem escrito

A descrição de cargo. As políticas internas. Os fluxos de processo. Os manuais de atendimento. O critério de avaliação. A política de férias.

O que acontece quando alguém erra. O que acontece quando alguém precisa sair correndo porque deu alguma coisa em casa.

Tudo o que está no papel, e que continua valendo mesmo quando ninguém está prestando atenção.

A pergunta é sempre a mesma: isso que está escrito bate com como as pessoas funcionam?

E o encaixe mais importante dessa comparação é o do cargo. Uma pessoa num cargo que combina com quem ela é tende a render mais, adoecer menos e ficar mais tempo. Uma pessoa num cargo que exige dela o oposto do que ela é vai passar oito horas por dia representando um papel.

Representar um papel por algumas horas cansa. Representar um papel por anos cobra um preço. A psicologia do trabalho descreve esse custo há décadas, por exemplo nos estudos sobre trabalho emocional: manter por muito tempo uma distância entre o que se sente e o que o cargo exige desgasta.

Ah, mas então vocês estão dizendo que os chefes são orgulhosos e egoístas?

Não, e essa distinção é o centro de tudo.

Na formulação de Eduardo Casarotto, orgulho e egoísmo funcionam como dois sistemas presentes em todo mundo: o SNO, que faz a pessoa medir a própria posição em relação aos outros, e o SNE, que resolve a conta entre o que eu ganho e o que o outro ganha.

O que a estrutura faz é decidir qual dos dois vai ser acionado. Um ranking na parede aciona o SNO. Uma meta que só um pode bater aciona o SNE. Não é que as pessoas sejam assim: é que a regra pede que elas sejam.

É por isso que a Humanização 2.0 não começa pelas pessoas. Começa pelo que está escrito.

De onde veio esse jeito de tratar gente

Isso não caiu do céu. A história da gestão ajuda a entender por que tantas organizações ainda tratam pessoas como peças. O que segue é um resumo, com a leitura de Eduardo Casarotto sobre cada marco.

1911 Taylor e o trabalho em pedaços

Frederick Taylor publicou Os Princípios da Administração Científica em 1911. A pergunta dele era simples: qual é a melhor maneira de fazer cada tarefa? Cronometrava o trabalhador, separava o gesto em partes, buscava a sequência mais rápida e padronizava tudo.

A produtividade das fábricas cresceu muito, e por isso o nome dele ficou.

Mas teve um custo. Nessa busca pela melhor maneira, o ser humano que fazia o gesto passou a ser tratado como insumo. A expressão "recursos humanos" só se popularizaria décadas depois, mas a lógica já estava ali.

Recurso é petróleo. Recurso é minério. Pessoa não é recurso. E enquanto a gente chamar de recurso, vai continuar tratando como recurso.

1913 Ford e o salário que subiu

Henry Ford implantou a linha de montagem móvel em 1913, e o tempo de produção despencou. No ano seguinte, em vez de baixar o salário, ele fez o contrário: praticamente dobrou a diária dos operários, com o famoso "dia de cinco dólares".

A explicação mais aceita é econômica: a rotatividade era altíssima, e reter gente saía mais barato do que treinar sempre. Na leitura do autor, o efeito foi também outro: mais segurança material ajuda a pessoa a trabalhar melhor, uma intuição que Maslow organizaria décadas depois.

1916 Fayol e a hierarquia

Henri Fayol publicou em 1916 a sua teoria da administração, com funções como planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar, e princípios como a unidade de comando e a cadeia hierárquica.

Fayol colocou ordem na gestão. Mas ajudou a consolidar a ideia de que liderar é estar por cima, numa relação de manda e obedece.

1924 a 1932 Hawthorne e o lado social do trabalho

Na Hawthorne Works, fábrica de equipamentos telefônicos da Western Electric perto de Chicago, uma série de estudos tentou descobrir o que fazia a produção variar. Os resultados, depois associados a Elton Mayo e a pesquisadores de Harvard, chamaram atenção para fatores sociais: a atenção recebida, as relações no grupo, o sentimento de participar.

A interpretação desses estudos é discutida até hoje, mas eles ajudaram a abrir o movimento das relações humanas na administração.

Na leitura de Eduardo Casarotto, a motivação valorizada a partir dali, a importância e o reconhecimento, foi um degrau acima do dinheiro. E continua sendo, ainda, uma motivação de segunda onda.

1943 Maslow e as necessidades

Abraham Maslow propôs uma hierarquia de necessidades humanas. Embaixo o básico: comer, dormir, sobreviver. Depois segurança, pertencimento, estima. E no topo, a autorrealização.

Parte do que a Humanização 2.0 sustenta hoje dialoga com o que Maslow já dizia em 1943. A aplicação nas organizações é que ficou pela metade.

A ideia de motivação ganhou força no vocabulário da gestão, e com ela a distinção que hoje parece óbvia: o chefe organiza tarefa, o líder mobiliza pessoas.

1960 McGregor e o que o chefe acredita sobre você

Douglas McGregor publicou a Teoria X e a Teoria Y. A X parte da ideia de que as pessoas não querem trabalhar e precisam ser controladas. A Y parte do contrário.

O jeito de um chefe liderar vem do que ele acredita sobre as pessoas, antes de qualquer técnica.

Depois Muito refinamento

Drucker, Schein, Senge, Kotter. Mais perto de nós, Goleman com a inteligência emocional, Simon Sinek com o propósito, Amy Edmondson com a segurança psicológica.

Na leitura do autor, cada um esticou um pouco o elástico. Mas a estrutura das organizações mudou bem menos do que o discurso sobre liderança.

A liderança entrou no século XX como chefe. Depois virou líder, quando se percebeu que a gente não trabalha só por dinheiro. E, para Eduardo Casarotto, parou aí.

Por isso a Humanização 2.0 não se apresenta como uma bandeira nova. Ela propõe continuar um caminho que travou no meio.

As três ondas do trabalho

Eduardo Casarotto propõe uma outra forma de contar essa história: a Terceira Onda do Trabalho, um modelo interpretativo do autor sobre como as motivações no trabalho evoluem.

São três grandes motivações. Para explicá-las, o autor usa uma analogia com funções do cérebro relacionadas a sobrevivência, reconhecimento social e decisão orientada por propósito:

Sobrevivência

Trabalhar para comer e continuar vivo. Na analogia do autor, é a lógica das funções de sobrevivência, que só conhecem dois estados: ameaça ou segurança.

Importância

Trabalhar para ser reconhecido. Na analogia, é a lógica do reconhecimento social, da necessidade de pertencer e de ter status.

Para onde caminhamos

Propósito

Trabalhar porque aquilo tem sentido. Na analogia, é a lógica da decisão orientada por propósito, que poucas empresas aprenderam a estimular.

E aqui está o problema prático, na leitura do autor: boa parte das organizações ainda está montada para a segunda onda. Título, ranking, premiação e status falam com a necessidade de importância, não com o propósito.

A Terceira Onda é um modelo do autor. Ela não é a origem nem a posição oficial da ISO, da OIT ou da OMS, embora converse com o mesmo tema: organizações e trabalho centrados no ser humano.

Conhecer as Três Ondas do Trabalho

O que o mercado vende, e por que não basta

Um estudo da Universidade de Oxford comparou trabalhadores de centenas de organizações no Reino Unido e olhou justamente o que se costuma contratar: treinamento de resiliência, meditação, aplicativo de bem-estar.

46.336trabalhadores comparados
233organizações

Na maioria das medições, quem participou não estava melhor do que quem não participou. A conclusão do autor foi que é preciso olhar para o local de trabalho, e não só para o trabalhador.

William J. Fleming, Employee well-being outcomes from individual-level mental health interventions, Industrial Relations Journal, 2024. É um estudo transversal: mostra associação, não prova causa. Wellbeing Research Centre, Oxford

Cuidar da pessoa e devolver ela para o mesmo ambiente é um ciclo caro, que joga no funcionário a conta de um problema que não é só dele.

Ação de humanização não é sistema humanizado

Programa de acolhimento, palestra, convênio com terapia. Isso são ações de humanização. São boas, e não bastam.

A diferença cabe numa pergunta: isso está escrito nas regras da empresa? Está na política, no fluxo, no critério de avaliação, na norma que continua valendo depois que o chefe que criou for embora?

Ação de humanização

Depende de quem está no comando. Acaba quando a pessoa sai, quando o orçamento aperta ou quando muda a prioridade.

Sistema humanizado

Está escrito. Continua valendo depois que todo mundo sair. É por isso que ele protege de verdade.

Se depende do chefe ser bom, ninguém está protegido

Essa é a parte que costuma surpreender, e é a que liberta.

Se o ambiente só é bom quando o chefe da vez é gente boa, ninguém está protegido de verdade. Está só com sorte. Empatia não fica na cadeira: ela vai embora junto com quem tinha.

A proteção da pessoa não pode estar em quem manda. Precisa estar na estrutura.

Os cinco filtros

Um dos instrumentos da Humanização 2.0. Ele não avalia intenção, avalia estrutura, com cinco perguntas que qualquer regra, processo ou política precisa passar:

  1. 1

    Virtuoso

    Essa regra desenvolve a pessoa, ou aciona o pior dela?

    Na prática: um ranking individual faz a pessoa medir posição em relação aos colegas, e isso é o sistema do orgulho sendo ligado pela própria empresa. Um reconhecimento que mostra o que cada um contribuiu para um resultado comum não faz isso.

  2. 2

    Sistêmico

    A mudança está na regra, ou está sendo pedida da pessoa?

    Na prática: treinar o funcionário para "lidar melhor com a pressão" é mudar a pessoa. Rever como a demanda é distribuída é mudar o sistema. Só o segundo continua funcionando quando aquele funcionário sair.

  3. 3

    360°

    Quem mais é afetado por isso?

    Na prática: uma política de atendimento que melhora a nota do cliente e aumenta a carga de quem atende resolveu para um lado e criou problema no outro. Não passou no filtro.

  4. 4

    Flexibilidade

    Ela se adapta ao caso real sem perder o propósito para o qual foi criada?

    Na prática: uma regra que não prevê exceção nenhuma vai ser descumprida em silêncio na primeira situação que não coube nela. E aí a empresa passa a ter duas regras: a escrita e a real.

  5. 5

    Corresponsabilidade

    Cada lado assume a parte dele, ou só um paga a conta?

    Na prática: exigir disponibilidade sem oferecer condição não é corresponsabilidade. Oferecer benefício sem pedir compromisso nenhum também não é.

É isso que separa uma empresa que faz ações bonitas de uma empresa que construiu um sistema humanizado.

A Terceira Competência

Toda empresa avalia seus funcionários por duas coisas. A Humanização 2.0 propõe uma terceira.

Competência técnica

O que a pessoa sabe fazer. Necessária, e todo mundo já mede.

Competência comportamental

Como ela se comunica e trabalha com os outros. Também já é medida.

Proposta da Humanização 2.0

Terceira Competência

A competência moral, feita das virtudes. Quase ninguém mede, e é ela que decide o resto.

Porque boa parte dos problemas sérios de uma empresa não vem de falta técnica nem de comportamento. Vem da falta de humildade, do orgulho que impede alguém de escutar, da centralização que nasce de insegurança.

A proposta é que essa competência entre oficialmente na avaliação de desempenho, com peso de verdade sobre carreira e salário:

Uma palestra sobre humildade não muda comportamento. Uma regra que liga a humildade à promoção começa a mudar culturas.

Ah, mas dá para medir "moral" numa avaliação de desempenho?

Dá, porque não se mede intenção. Mede-se comportamento observável.

Essa pessoa reconhece erro na frente da equipe? Dá crédito a quem fez? Escuta quando a informação contraria a decisão dela? Divide informação com outros setores sem precisar ser cobrada?

Nada disso é opinião sobre o caráter de alguém. São coisas que aconteceram ou não aconteceram, e que qualquer avaliação séria já sabe registrar.

De ponta a ponta

Humanizar uma organização não é criar mais um programa. É passar cada peça que já existe pelo mesmo teste.

São 34 componentes de um sistema humanizado. Cada um deles é uma coisa que a empresa já tem, ou deveria ter, e que precisa ser reescrita a partir do funcionamento humano:

Estrutura e governança

Governança · Comitê de avaliação · Comissão interna de prevenção e incentivo · Espaço físico · Gestão do conhecimento

Gestão de pessoas

RH · Recrutamento e seleção · Descrição de cargo · Plano de carreira · Avaliação de desempenho · Terceira Competência · Treinamento e desenvolvimento · Benefícios e remuneração · Mentoria · Desligamento

Saúde e qualidade de vida

Departamento de saúde mental corporativa · Política de saúde e bem-estar · Suporte em crises pessoais · Descompressão · Conciliação entre trabalho e vida · Pesquisa de clima

Comunicação e relação

Manual de feedbacks · Manuais de atendimento e comunicação · Atendimento ao público · Transparência na comunicação · Transparência em promoção e carreira

Documentos normativos

Manual de humanização de políticas internas · Manual de valores, princípios e crenças · Manual de personalidade · Políticas de gestão de pessoas

Alcance para fora

Inclusão · Projetos sociais e apoio às famílias dos colaboradores · Compras e vendas

Nenhum setor da organização fica de fora. É isso que torna a Humanização 2.0 auditável.

O que isso muda fora da empresa

Pense no que aconteceu com o meio ambiente. Levou décadas para sair do discurso e virar regra. Hoje boa parte das grandes empresas tem política ambiental. Não porque as pessoas ficaram melhores, mas porque a regra passou a exigir e a auditoria passou a conferir.

A Humanização 2.0 propõe o mesmo caminho para o ser humano. Por isso foi construída com critérios objetivos, que qualquer um consegue conferir.

E o princípio de fundo é sempre o mesmo: não adianta convencer. É preciso construir estrutura que faça a resposta certa acontecer sozinha, mesmo quando ninguém está olhando.

Se isso acontecer, muda aquilo que hoje se aceita como se fosse inevitável: que trabalhar custe a saúde, que a escola só sirva para um tipo de criança, que a prisão devolva para a rua alguém pior do que entrou.

Onde estudar isso a fundo

A Pós-graduação em Sistemas Humanizados tem 15 módulos e 360 horas. Vai do funcionamento humano, com personalidade, temperamento e as 51 necessidades, até a construção do sistema dentro da organização, incluindo a gestão dos riscos psicossociais que a NR-1 passou a tratar expressamente. A certificação é da FACEO - Faculdade Centro Oeste, instituição credenciada pelo MEC.

O futuro é construir empresas compatíveis com o ser humano.

Aqui você acompanha a transformação do mundo do trabalho e conhece uma proposta para participar dela.

Trazemos o futuro. Instituto Virtudes